sexta-feira, 19 de março de 2010

Luz e escuro

Midna, a princesa dos Twili, aprova este post.

As pessoas alimentam um conceito interessante sobre a luz. Acreditam que todo bem vem proveniente da luz (até mesmo as Light Arrows do Zelda), e que toda sombra e ausência de luz devam inexistir e a luz deve reinar. Honestamente, não sei o motivo de tal crença. Acredito que a luz e a escuridão são equivalentes. As pessoas temem se cegar na escuridão, mas assim como a ausência total de luz, o excesso dela também nos cega. Uma criança pode desenvolver um trauma infantil do escuro. Por não poder enxergar? Por imaginar coisas que não existem, na escuridão? Tudo na luz parece tão bem esclarecido. Bem aceitável. Mas o que existe na escuridão também existe na luz, é tudo questão de perspectiva, de sentido.

Como os seres humanos que somos, tememos o que não conhecemos. O que vive na escuridão, não se conhece, pois não se vê. Acreditamos no que nos é palpável através dos sentidos. Só admitimos um gosto quando o sentimos, só admitimos um som quando ouvimos, só admitimos um cheiro ao aspirá-lo, e só admitimos algo se o vemos. O que não se vê, não existe. Por mais que acreditemos que algo exista sem vê-lo, sempre nos restará uma dúvida. Existem duas exceções apenas: os que creem em Deus e os cegos, que são obrigados a acreditar que tudo que é dito que existe realmente existe, já que não se pode confirmar nada, mas mesmo assim, reinará a dúvida de como as coisas aparentam ser.

Todo o bem enfeitado Discurso do Método de nada vale se não é possível ver o que é preciso duvidar para se conhecer. Não somos capazes de ver diversas coisas. Talvez menos provável que seja por estarmos na escuridão da ignorância, mas mais provável por estarmos cegos pela luz da pretensão humana. A ignorância absoluta é, acima de tudo, se deixar cegar pela luz e ignorar qualquer escuridão que possa se manifestar. De tão comum que isso é hoje, o sentido mais cotidiano para “ignorância” não é mais “não saber algo”, e sim “insistir em uma verdade falsa”.

Por fim, devemos todos procurar nosso caminho pela escuridão, sem nos deixar cegar pela luz. Estamos em um meio onde ambos coexistem, o que é fisicamente impossível, imagino, mas a metáfora valeu de algo, espero. Pra finalizar:

Se você ainda assim prefere mais luz na sua vida, Let There Be More Light.
Esse pessoalzinho underground dançando me dá medo.

Mas se você não se importa de ficar no escuro, Blackout.
Bowie + violino = sexy

2 comentários:

Abóbora disse...

HELLO DARKNESS MY OLD FRIEND
I'VE COME TO TALK WITH YOU AGAIN

tá não resisti né :(

Leandro disse...

prefiro a escuridão, sou um vampiro né, sabe como são as coisas pra nós.